COMO CRIEI O MEU PRÓPRIO MUNDO [AU]

13:37 4 Comments A+ a-

Fonte: planeta png.

Criar um universo próprio é a forma de trazer ainda mais singularidade a uma história, ou no meu caso, foi mais como uma rota de escape por não saber o suficiente de uma época e principalmente de um lugar. Na minha história Corrida Do Ouro, eu acabei por criar um lugar, pois como não encontrava muitas informações concretas quanto as cidades e afins do período da Febre do Ouro e o chamado Velho Oeste, eu estava apavorada com a ideia de escrever tentando utilizar a zona sul dos EUA e fazer m****. 

Então a minha forma de fugir desse medo foi criar um lugar, apesar que no começo eu senti aversão a ideia, pois não queria algo “falso”, mas pensei bem e vi que além de eu ter total liberdade criativa pra fazer o que eu bem entendesse daquele lugar, ainda seria uma boa experiência tentar criar algo ainda maior, algo que nunca havia tentado antes.

As ideias a seguir são bem pessoais a respeito do assunto, pode não ser algo universal, são coisas baseadas na minha experiência até agora criando um universo próprio. 

Abuse da criatividade, mas não viaje na maionese.
Ok, o que eu quero dizer com isso? A não ser que seja a sua intenção fazer um negócio totalmente absurdo, tipo pinturas surrealista e abastardas, você precisa ter cuidado com o que cria, pra não ser algo beirando a insanidade, pois a nossa intenção é criar um lugar, que mesmo não sendo real, ele passe o sentimento de realidade. E caso esteja com dificuldades nesse tópico, vamos ao próximo: 

Baseie-se na História.
O senhor George RR Martin já falou que baseou conflito Stark VS Lanister na Batalha das Rosas (que você pode entender o que foi e de forma bem divertida nesse nerdcast). E eu estou baseando muita coisa da minha história nos próprios acontecimentos da época do Velho Oeste, como a corrida do ouro, que é justamente o que dá nome a história, o conflito homem “civilizado” VS índio, Guerra Civil, entre outras coisinhas. A História é uma fonte inesgotável de ideias e base para muita coisa. 

Em circunstância alguma você pode se esquecer da diversidade. 
Vamos lembrar que cidades, países e continentes são feitos de pessoas das mais variada etnias, mais variadas cores de peles, mais variadas crenças, etc... Em Corrida Do Ouro, eu trabalho com narração em terceira pessoa, com narração de vários personagens e em diferentes locais do país, fico constantemente me lembrando dessa diversidade, pois estou lidando com diversos locais, com uma variedade imensa de etnias. 

Você pode criar mapas.
Eu não sei se existem regras pra se criar mapas, mas se existirem provavelmente quebrei todas elas. A finalidade de se criar um mapa foi apenas pra eu ter uma noção de onde as cidades ficam, onde tem mar, onde tem rio, etc. Tentar criar e guardar tudo isso dentro da minha cabeça seria exigir de mais do meu cérebro, então o mapa serve pra aquilo que ele sempre serviu: guiar. 

E quanto ao idioma. 
Pra falar a verdade essa foi uma questão com que não me preocupei muito. Eu não tenho capacidade alguma pra criar uma nova língua e nem vou me arriscar nessa área, apesar de na minha história existir uma índia entre os personagens principais, não criei diálogos em nenhuma língua indígena.

Não transforme sua história em um livro de História. 
Você tem um novo país em mãos, ele tem uma história como qualquer país e você vai precisar explicar isso a quem está lendo, porém não pode transformar a narrativa em um texto de livro de História, vai tornar algo maçante e deixar a pessoa com a sensação de tédio enquanto lê. Você precisa encontrar a sua forma de colocar a História de uma maneira leve e que ela se case com a narrativa, sem parecer que abriu um imenso parênteses entre um parágrafo e outro.

Mas de forma alguma esqueça da História!
Se tem uma coisa que eu, como leitora, odeio é ler algo que se passa ou em uma distopia, ou um mundo próprio, e ter informações rasas ou quase nenhuma sobre a História daquele lugar. Chega a ser frustrante! Estamos lidando com um lugar criado por você, toda informação desse lugar está exclusivamente em sua mente, não pode escrever a história esperando que o leitor entenda por osmose aquele local. Você não precisa ter tudo em detalhes, mas o mínimo possível. 

Seja ousado! 
Entendeu que não precisa viajar na maionese pra ter um lugar próprio, use e abuse da dosagem certa de ousadia. Não fique se prendendo pelo o que os outro já criaram, se está em dúvida se deve ou não colocar algo em seu universo alternativo, converse com as pessoas a sua volta, explique a elas o que você quer e pergunte o que cada uma acha. Aquele lugar é seu, as regras quem vai ditar é você. Se tal autor fez de tal jeito, você não tem obrigação nenhuma de seguir aquele jeito, aquilo serviu para aquela história. Não tenha medo de ser ousado. 

Pros de um AU: Você tem total liberdade e controle do local onde a história se passa, você tem uma ampla gama de coisas à explorar da forma que sua mente quiser.
Contras de um AU: Vai dar muito mais trabalho, pois antes de começar a escrever você precisa ter o mínimo de informação do local. Você vai exigir ainda mais de sua criatividade. 

Quando eu parava pra pensar em criar um próprio mundo, me parecia algo terrivelmente complicado, realmente não é fácil, porém não é impossível. Vai exigir mais esforço da sua parte, por outro lado é um processo criativo um tanto interessante, estou adorando trabalhar um lugar próprio, a liberdade que isso me proporciona é indescritível, torna a obra ainda mais pessoal. 

Se você tem vontade de criar um universo alternativo, criar o seu próprio país, acredito ser uma experiência interessantíssima, pela qual vale a pena passar ao menos uma vez. E como parece existir um nerdcast pra cada ocasião da vida, existe um sobre criar mundos que vale a pena ouvir, você pode fazer o download aqui.

4 comentários

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15 de outubro de 2015 07:52 delete

Ai, que post maravilhoso e útil! Tentei criar o meu próprio mundo uma vez e achei a experiência muito legal, dá um trabalhão meeeesmo, mas é muito legal pensar em cada detalhe e criar um lugar onde você dita as regras! Adorei esse post, mesmo! Quando eu for criar o meu próprio mundo outra vez, vou aproveitar essas dicas ^^
Um beijão,
Gabi do likegabs.blogspot.com ♡

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Jess Sena
AUTHOR
15 de outubro de 2015 10:24 delete

Que post mais incriiivel <3
Adorei tudo, a ideia e as dicas. Nunca criei meu próprio mundo, vivo em vários todos os dias ahhaha

ps: você comentou no nosso post sobre como se tornou leitora, manda pra gente sua história por e-mail (saymybook@hotmail.com), não importa se foi épica ou emocionante, o importante é os diferentes caminhos que percorremos pra chegar no mesmo fim :D

bj

@saymybook
saymybook.blogspot.com

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19 de outubro de 2015 17:56 delete

Obrigada! É bem legal, uma boa experiência criar um lugar próprio, o melhor de tudo é que você tem liberdade pra fazer o que quiser, perde aquele medo de fazer algo errado e aquela ideia de fidelidade ao real caso estivesse lidando com um lugar real. Espero que as dicas possam te ajudar quando precisar ;)

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19 de outubro de 2015 17:58 delete

Muito obrigada!
Olha, eu tenho um mundo bem particular, onde entro e me desligo do mundo e é nele que nascem as minhas história hsuahusahas queria poder viver nele em tempo integral.
Ah, podexa vou mandar algum dia ;)

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O que dizer dessa pessoa que está escrevendo um comentário? TE CONSIDERO PAKAS!