CONTO: LOVE IS A VERB

13:27 2 Comments A+ a-


− Porque ele não sabia como amar.
Parecia absurdo pensar que um relacionamento que se sustentou por longos seis anos acabara de uma hora para outra, ou ao menos era como as pessoas costumavam comentar sempre que descobriam que não existia mais Ella e Preston.
Vocês sempre foram tão apaixonados. Comentou uma amiga próxima. Estavam tão bem até semana passada no churrasco. Disse um primo meu. No mês passado estavam comentando sobre viajar para as Bahamas no verão. Falou uma tia dele.
Fomos apaixonados, sem dúvida, uma paixão abrasadora, que consumia cada um de nós diariamente, ardia por dentro, que as vezes chegava a faltar ar nos vermos distantes um do outro. Me lembrava com clareza das famosas borboletas no estômago que me incomodavam todas as vezes que via Preston, no começo com uma intensidade quase incomoda, bastava pensar em seu rosto todo pintado de sardas e barba, que com o tempo foi deixando mais volumosa, que algo se remexia dentro de mim e passava as próximas horas lutando inteiramente entre me concentrar na aula de história da arte, ou imaginar como seria o nosso próximo encontro.
Também me lembro das várias vezes que fiz diversas cartas e bilhetes, usando a minha letra, que segundo Preston, parecia uma bela caligrafia antiga. Ou quando ele me beijava, tudo em volta parecia desaparecer, enquanto por dentro algo parecia pegar fogo e congelar ao mesmo tempo.
Por Deus! Como fui apaixonada por Preston. Mas isso cresceu em meu peito, evoluiu e se transformou em algo lindo. Passei a admira-lo quando chorava assistindo algum filme dramático, ou alguma animação da Disney, enquanto ele se odiava por ser sensível de mais. Eu me encantei por suas tentativas concentradas e frustradas de aprender a desenhar assistindo aulas no YouTube, enquanto ele amassava todos os papéis e os jogava na lixeira com toda a fúria que lhe pertencia. Eu só queria abraça-lo todas as vezes que chegava em casa furioso pelo chefe o pressionar novamente, enquanto ele apenas pedia para que eu me afastasse, então eu apenas ficava no cômodo ao lado, esperando que saísse e eu pudesse finalmente mostrar que estive ali o tempo todo.
Eu o amei com uma intensidade que até hoje ainda não acredito ser possível.
No entanto, todas as vezes que eu queimei uma nova tentativa de jantar diferente e me sentia completamente inútil, você apenas me olhava e pedia algo no delivery. Ou quando coloquei na cabeça que aprenderia a tocar violão apenas usando aquelas revistinhas de banca, você simplesmente me falou que eu estava atrapalhando a sua concentração no trabalho e que deveria tentar fazer outra coisa. Ou quando falei que pensava em pintar parte do cabelo de azul, limitou-se a duras palavras de que eu já não tinha mais idade para aquilo.
Talvez eu estivesse pedindo muito mais do que você pudesse oferecer-me, afinal, exigir que alguém se entregue de mente e coração em um relacionamento, aceite a pessoa desde as suas mais brilhantes qualidades, até os seus mais terríveis defeitos, que esteja ao seu lado nos dias dourados, assim como nos dias mais escuros, talvez seja pedir de mais.
− Ele não sabia... Amar? – Betsy olhou-me confusa.
− Eu não espero que as pessoas entendam. – respondi com serenidade. – Apenas que aceitem. Eu o amava e esperei por algo que ele não podia me dar. 
Esse conto foi escrito para o Desafio da Imagem, promovido pela Estante Literária no mês passado. O desafio consistia em escrever um conto de no máximo 600 palavras, se baseando em uma imagem. Eu encontrei esse gif vagando pelo Tumblr e surgiu assim a ideia para esse conto. 

2 comentários

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Camila Faria
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10 de fevereiro de 2017 09:51 delete

Muito bom o conto Gabriela. E casou demais com o gif. <3

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