PLANEJANDO: Criar uma história do zero


Você estava assistindo um filme e veio uma ideia para uma história. Estava lendo um livro e quando chegou no final só queria poder continuar aquela jornada. O primeiro passo para começar a sua própria história é a ideia, então o que fazer logo em seguida?

Por um bom tempo, na minha trajetória como escritora, eu lutei contra a ideia de planejar uma história. Algumas vezes já tinha partido apenas com a ideia inicial e a história deu certo no fim das contas, mas conforme fui entrando mais fundo na escrita, deixando as fanfics de lado e focando nas minhas histórias originais, na briga contra o planejamento ele estava praticamente me nocauteando.

Ainda luto um pouco contra um planejamento minucioso (aquela coisa de autor arquiteto), porque, às vezes, enquanto escrevemos, surge uma boa ideia que não estava nos planos inicialmente, e eu gosto muito disso. Mas nunca mais comecei um projeto sem saber como ele começa e como termina, eu sei os pontos principais da história, sei os objetivos dos personagens. Eu sei o que é importante para estruturar a minha história e levá-la até o final.

Arquiteto X Jardineiro

De um lado temos a pessoa que vai planejar o roteiro da história da forma mais minuciosa possível. Pontuar capítulos e o que acontece em cada um deles. Do outro lado temos a pessoa que quanto menos melhor, ela deixa que a história e os personagens digam por onde querem seguir. Onde vamos parar? Ainda não sabemos.

Eu me vejo muito em um meio termo. Não chego a planejar algo nos mínimos detalhes, mas eu defino coisas o suficiente para, com certeza, não deixar a história viajar sozinha. Acredito que o planejamento mínimo é essencial para você seguir até o final com a sua história, você ao menos tem que saber onde os seus personagens vão começar e onde eles vão terminar (em outro post vou discutir a importância de saber onde o seu livro acaba). Então trabalhe um planejamento prévio, seja ele descrito nos mínimos detalhes, ou aberto o suficiente para deixar a imaginação trabalhar um pouco na hora de escrever.

Conheça os seus personagens

Conhecer os seus personagens é essencial, porque são eles que movimentam a história. A história existe para eles e eles existem para a história. 

Eu gosto muito de ouvir os personagens. Conversa de gente louca mesmo. Sempre que começo algum projeto, nunca conheço um personagem por completo, ele se mostra para mim enquanto escrevo. Mas quando chego no final da história e vou revisá-la, eu sei exatamente como é cada personagem dentro daquele enredo e sei qual foi a função de cada um dentro dos acontecimentos.

Acho importante ter esse, chamemos assim, relacionamento próximo com os personagens, porque conhecendo eles, você vai saber exatamente como conduzir a escrita. Se é tímido e introvertido, você sabe que dificilmente vai ficar diante de uma platéia e falar tranquilamente. Se for impulsivo, o esperado é que tome decisões rápidas sem necessariamente pensar em todas as consequências.

Conhecer os seus personagens deixa a narração consistente. Evita que você descreva algo que raramente alguém faria na mesma condição do personagem.

Crie fichas para os personagens. Descreva as suas crenças, os seus medos, os seus objetivos, os seus defeitos. Torne ele humano e use isso no seu texto. E sem contar que fichas ajudam na revisão, porque quando eu escrevo as chances de um personagem terminar com três cores diferentes de olhos são bem grandes, então é legal anotar esses pequenos detalhes e revisar eles no texto mais tarde.

Planejando em atos

Muito provavelmente você já deve ter ouvido pessoas falarem “o filme decaiu depois do segundo ato”, “o primeiro ato foi confuso”. Normalmente os filmes são divididos em três atos e eles são definidos por pontos de virada. E aqui fica interessante.

O ponto de virada é aquele momento em que a história está caminhando para uma coisa, então acontece algo que vai fazer esse caminho mudar (sim, os famosos plot twists). Eles podem ser algo grande, como uma grande revelação, ou o personagem simplesmente decidir que não vai fazer mais algo que daria em um ponto x, mas agora ele vai fazer outro algo que vai dar em um ponto y. Isso é o ponto de virada.

Então comece o esqueleto do seu planejamento. Diga onde a sua história começa, defina o primeiro ponto de virada, depois o segundo e aí finaliza com a última cena da sua história. Depois é só conectar tudo através dos atos. 

O ato I é a introdução da história, apresenta o conflito principal, apresentar os personagem principais e ele vai levar ao primeiro ponto de virada. O ato II é o desenvolvimento, já sabemos o conflito, já conhecemos os personagens principais, então é a hora de agir e ele vai levar ao segundo ponto de virada. O ato III é o encerramento, onde tudo vai se resolver, todas as pontas serão amarradas, normalmente é o ponto onde acontece o maior confronto da trama e a sua final resolução.



Conhecer a sua história é essencial para o andamento dela. Como falei, não é necessário você saber tudo nos mínimos detalhes, mas tudo fica mais fácil e faz mais sentido quando você sabe por onde seguir e com quem está seguindo. Planeje a sua história!

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