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Cats Can't Write


Talvez seja a milionésima vez que eu sumi desse blog, mas acredito que nenhum sumiço foi tão longo quanto esse, até apareci para publicar um conto que escrevi para um concurso no Tumblr, mas ainda assim, não foi um retorno triunfal ao bom estilo Fênix. Não vou mentir, já faz algumas poucas semanas que penso em voltar para o CATS, porém não surgia um assunto realmente legal para abordar, até que descobri Abstrac – the art of design e a vida mudou (ou quase isso). 

Se você não faz ideia do que raios é Abstract, sente aqui e vamos conversar, pois você está prestes a descobrir uma das maiores joias da Netflix (em minha humilde opinião), ou pelo menos um conteúdo muito maneiro para quem curte arte e principalmente design. Bom, esse post vai ser um mix de resenha e o já conhecido “seis motivos para assistir”, que eu sempre faço quando assisto uma série. 

Abstract é uma série documental produzida pela própria Netflix, ela conta com oito episódios, cada um com uma média de 40 minutos de duração. A série é completamente focada em arte, cada episódio aborda um artista influente dentro de uma área do design (design gráfico, cenografia, fotografia, arquitetura, etc).

Não é algo maçante, que apenas lhe joga informações na cara.
Acredito que tem uma porção de pessoas que não gostam de documentários porque tem aquela ideia: alguém vai ficar falando sem parar, jogando informações na minha cara, vai me dar sono. Eu particularmente amo documentários, especialmente aqueles sobre assuntos que me interessam e Abstract é aquela série documental que eu precisava e não sabia.
Toda a série foi construída para que não fosse nada maçante, na verdade, bem divertido, já começando pela abertura própria de cada episódio, com uma música agitada e muita cor. Acho que dá para dizer que cada episódio segue duas linhas de tempo, uma seria o passado e história do artista apresentado, enquanto a outra é a equipe do documentário acompanhando um trabalho atual da pessoa, para que quem está assistindo não só entenda o trabalho e saiba de onde veio, mas principalmente veja como ele é feito.

Oito episódios, oito áreas diferente do design.
Cada episódio é focado em um artista e cada artista está inserido numa área diferente do outro, temos ilustrador, cenógrafa, designer gráfica, fotógrafo, arquiteto, etc. Eu costumo dizer que eu conhecia as obras e a série me fez conhecer os autores das mesmas, em pelo menos UM episódio você vai reconhecer alguma obra, seja um tênis da Nike, ou um palco montado pela Es Devlin. 
É interessante não só pelo lado de ver o trabalho do artista, mas perceber quantas áreas e quantas possibilidades de trabalho que existe dentro do design, pegando a Es de exemplo novamente, ela trabalha projetando palcos e cenários, não é sempre que vemos um palco incrível que pensamos em quem pode ter projetado e pensado em cada mínimo detalhe que compõe todo aquele cenário.

É uma imersão na mente do designer. 
A série não mostra apenas o trabalho artista, vai além disso, Abstract entra na vida do designer e mostra todo o processo de construção do trabalho, que muitas vezes são projetos que levam anos de execução. De forma quase pessoal, os artistas nos levam para dentro dos seus ambientes de trabalho, mostram seus instrumentos, a equipe que os acompanha, passamos a ver que aquele trabalho que para muitos é só uma imagem, ou só um prédio, ou apenas um cômodo cuidadosamente planejado, na verdade existe todo um processo criativo por trás, envolve muito mais do que apenas papel e cimento, existe sentimento ali, uma forma única e pessoal de desenvolver algo criativo, chamativo e intenso. 
Ainda podemos saber um pouco da trajetória do artista até o momento presente, vemos de onde veio, de onde surgiu o sonho, ou onde descobriram o que queriam fazer, e o caminho percorrido até o reconhecimento e influencia mundial. 

Não tem necessidade de assistir em ordem. 
Estamos acostumados com séries que é preciso assistir os episódios em ordem, caso contrário, você não vai entender bulhufas sobre o que está rolando. Sendo uma série documental em que cada episódio foca em uma área diferente do design, não existe necessariamente uma ordem, você é livre para criar a sua ordem. Você pode, por exemplo, começar por aquela área do design que gosta mais e ir até a que gosta menos, ou desconhece completamente. Eu descobri o quanto o design é parte fundamental de um veículo, ou algo que é quase lógico como em um tênis, eu nunca havia parado para pensar em todo o estudo e trabalho que existe por trás de um único par de tênis.  

Abstract também ganha estrelinha dourada por toda a parte técnica.
Apesar de eu não manjar muito no que diz respeito a parte técnica de filmes e séries, é evidente todo o cuidado técnico que deram a Abstract. Seja pelos enquadramentos que favorecem o assunto e deixa tudo mais equilibrado e belo, ou pela edição bem pensada para deixar tudo divertido, leve e nada maçante, a trilha sonora agitada que parecia dar ainda mais ritmo aos episódios, a fotografia... Tudo foi feito de forma que se encaixasse e principalmente: fosse um deleite aos olhos e ouvidos. 

É inspirador!
E não digo apenas no sentido de histórias inspiradoras, porque sem dúvida são histórias para se inspirar, mas digo no sentido artístico mesmo. Ver tantas obras magnificas, prédios gigantescos e de aparência estranha a primeira vista, ou um trabalho tipográfico que consegue passar toda uma mensagem apenas com a escolha da fonte, ou a valorização de um espaço pequeno através de projeções espetaculares, tudo contribui para você ser tomado pelo mais puro sentimento de inspiração. Eu terminei o episódio sobre a Paula Scher louca para abrir o Photoshop e fazer altas loucuras tipográficas (mas eu só fui para o episódio seguinte hehe), ou ainda o episódio de Platon, eu queria treinar fotografar rostos até conseguir transmitir tanto sentimento quanto ele faz em suas fotografias (é sério, se você nunca viu o trabalho desse homem, vale MUITO a pena conferir).


Eu vejo Abstract como uma grande homenagem à arte. A série mostra com delicadeza como todo esse mundo criativo é construído por pessoas diferentes, de áreas diferentes, que pensam diferente e criam de formas diferentes, mas de certa forma têm objetivos em comum, seja mudar algo, ou tornar algo mais belo, ou belo e confortável ao mesmo tempo. É uma coisa que fica muito clara, cada um começou com a ideia de melhorar algo, ou mudar algo. Tinker queria um tênis que tivesse um visual bonito e fosse confortável ao mesmo tempo, Bjarke criou prédios enormes e insanos em um lugar de construções clássicas e baixas, Es via em espaços pequenos potencial para grandes cenários e mudou aquela configuração simples de palcos de bandas. 

Bom, se você ainda não se permitiu conferir essa obra maravilhosa da Netflix, já lhe dei seis bons motivos para dar um play pelo menos no primeiro episódio, ou quem sabe naquele que apresenta o designer da área que você mais tem afinidade. A verdade é uma: Abstract vale o seu play. 

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− Porque ele não sabia como amar.
Parecia absurdo pensar que um relacionamento que se sustentou por longos seis anos acabara de uma hora para outra, ou ao menos era como as pessoas costumavam comentar sempre que descobriam que não existia mais Ella e Preston.
Vocês sempre foram tão apaixonados. Comentou uma amiga próxima. Estavam tão bem até semana passada no churrasco. Disse um primo meu. No mês passado estavam comentando sobre viajar para as Bahamas no verão. Falou uma tia dele.
Fomos apaixonados, sem dúvida, uma paixão abrasadora, que consumia cada um de nós diariamente, ardia por dentro, que as vezes chegava a faltar ar nos vermos distantes um do outro. Me lembrava com clareza das famosas borboletas no estômago que me incomodavam todas as vezes que via Preston, no começo com uma intensidade quase incomoda, bastava pensar em seu rosto todo pintado de sardas e barba, que com o tempo foi deixando mais volumosa, que algo se remexia dentro de mim e passava as próximas horas lutando inteiramente entre me concentrar na aula de história da arte, ou imaginar como seria o nosso próximo encontro.
Também me lembro das várias vezes que fiz diversas cartas e bilhetes, usando a minha letra, que segundo Preston, parecia uma bela caligrafia antiga. Ou quando ele me beijava, tudo em volta parecia desaparecer, enquanto por dentro algo parecia pegar fogo e congelar ao mesmo tempo.
Por Deus! Como fui apaixonada por Preston. Mas isso cresceu em meu peito, evoluiu e se transformou em algo lindo. Passei a admira-lo quando chorava assistindo algum filme dramático, ou alguma animação da Disney, enquanto ele se odiava por ser sensível de mais. Eu me encantei por suas tentativas concentradas e frustradas de aprender a desenhar assistindo aulas no YouTube, enquanto ele amassava todos os papéis e os jogava na lixeira com toda a fúria que lhe pertencia. Eu só queria abraça-lo todas as vezes que chegava em casa furioso pelo chefe o pressionar novamente, enquanto ele apenas pedia para que eu me afastasse, então eu apenas ficava no cômodo ao lado, esperando que saísse e eu pudesse finalmente mostrar que estive ali o tempo todo.
Eu o amei com uma intensidade que até hoje ainda não acredito ser possível.
No entanto, todas as vezes que eu queimei uma nova tentativa de jantar diferente e me sentia completamente inútil, você apenas me olhava e pedia algo no delivery. Ou quando coloquei na cabeça que aprenderia a tocar violão apenas usando aquelas revistinhas de banca, você simplesmente me falou que eu estava atrapalhando a sua concentração no trabalho e que deveria tentar fazer outra coisa. Ou quando falei que pensava em pintar parte do cabelo de azul, limitou-se a duras palavras de que eu já não tinha mais idade para aquilo.
Talvez eu estivesse pedindo muito mais do que você pudesse oferecer-me, afinal, exigir que alguém se entregue de mente e coração em um relacionamento, aceite a pessoa desde as suas mais brilhantes qualidades, até os seus mais terríveis defeitos, que esteja ao seu lado nos dias dourados, assim como nos dias mais escuros, talvez seja pedir de mais.
− Ele não sabia... Amar? – Betsy olhou-me confusa.
− Eu não espero que as pessoas entendam. – respondi com serenidade. – Apenas que aceitem. Eu o amava e esperei por algo que ele não podia me dar. 
Esse conto foi escrito para o Desafio da Imagem, promovido pela Estante Literária no mês passado. O desafio consistia em escrever um conto de no máximo 600 palavras, se baseando em uma imagem. Eu encontrei esse gif vagando pelo Tumblr e surgiu assim a ideia para esse conto. 

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